quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A má gestão do Benfica na Youth League


Depois da final alcançada em 2013/14 e dos quartos de final um ano mais tarde, a equipa de juniores do Benfica volta a entrar forte na UEFA Youth League. Começou com a maior goleada da história da competição (8-0 ao Astana), venceu o poderoso Atlético de Madrid e, na terceira jornada, pulverizou o próprio recorde batido na primeira: 1-11 (!) no terreno do Galatasaray. 


Comparando com as anteriores edições da prova, o plantel está claramente apto para levar a taça. Os adeptos vão sonhando e a imprensa perde-se em elogios aos miúdos ‘made in’ Seixal – tudo perfeito. Ainda assim, eu aponto uma crítica que me parece evidente desde o começo do torneio: a gestão que o Benfica tem feito da carreira dos jogadores não tem sido a melhor. Na Turquia, por exemplo, jogaram seis atletas já da equipa B. Em Madrid, foram nove.

Ao nível da formação (e a Youth League, apesar da visibilidade, tem como objetivo formar atletas), o mais importante será sempre o desenvolvimento individual. E este só é alcançado sujeitando os jogadores a um crescente nível de competitividade. Ora, muitos dos que foram lançados por João Tralhão já superaram este patamar e têm evoluído a defrontar, todas as semanas, futebolistas bastante rodados e com experiência em vários campeonatos seniores.

Sendo assim, que sentido faz colocar os jovens em jogos fáceis? Como se viu, nenhuma destas partidas fará com que Renato Sanches, Diogo Gonçalves ou João Carvalho se tornem melhores jogadores. Como se não bastasse, há ainda o espaço que é tapado a quem habitualmente representa os juniores do clube.

A explicação é simples: os encarnados estão claramente a dar prioridade ao resultado, em detrimento do crescimento dos atletas. Compreende-se. Obter resultados volumosos ou mesmo ganhar uma prova europeia de camadas jovens dá/daria ao clube um enorme reconhecimento internacional, o que é fantástico. Mas é ainda mais importante formar com qualidade, já que o prestígio obtido a um nível sénior é muito melhor.

Há clubes que fazem o mesmo, é verdade, mas, recuando duas temporadas, o FC Barcelona foi campeão europeu sem utilizar jogadores como Sergi Samper, Alejandro Grimaldo, Jean Marie Dongou ou Sandro Ramírez, que cumpriam os requisitos. E não foi por isso que estes cresceram menos. Muito pelo contrário.


Uma última nota para, em sentido inverso, dar mérito à aposta em José Gomes, fantástico ponta de lança ainda juvenil que leva cinco golos em dois jogos (não atuou em Madrid).

Total de visualizações