quarta-feira, 1 de julho de 2015

Chegámos à final, mas calma!


É facto comprovado que, em Portugal, a imprensa e os adeptos vão do oito ao oitenta em menos de nada. Naturalmente, esta seleção de sub-21 não passa ao lado. Desde o início, mesmo antes do começo da qualificação para o Europeu, era bastante evidente que estava reunido um grupo de jogadores talentosos e com potencial. Tal como grande parte das recentes seleções jovens portuguesas, de resto. 

Da imprensa especializada muito pouco se leu ao longo destes dois anos. Um canto numa página perdida num jornal, uma nota de rodapé na última página… Pouco mais do que isso. Mas, subitamente, parece ter sido descoberta uma equipa com onze (se não mais) Cristianos Ronaldos. Da desgraça pós-Mundial (“esta seleção é má e as perspetivas futuras não são as melhores…”) passámos à histeria generalizada (que entretanto também já acabou - este texto foi escrito antes da grande final). Onze salvadores da pátria apareceram num dia de nevoeiro e com eles somos fortes candidatos à conquista do próximo Campeonato do Mundo.

Esta seleção sub-21 é muito boa, não há dúvidas disso, mas vamos com calma. É uma equipa que vale sobretudo pelo coletivo. Daí o 5-0 à Alemanha ou a qualificação 100% vitoriosa. Há dois craques, Bernardo Silva e William Carvalho, dois ou três jogadores que poderão também ser importantes na seleção principal, João Mário ou Rúben Neves, mas os restantes serão, no máximo, jogadores úteis. É apenas com esta seleção sub-21 que a principal elevará o seu nível? Muito dificilmente.

É, sim, com todas as gerações que se vão destacando e aquelas que vêm a caminho que Portugal será definitivamente um candidato. Com isto, quero apenas dizer que não vai haver uma transição integral deste grupo para o plantel sénior e que não é ele que, por si só, vai aumentar muito o nível global. Para tal, teremos de “pegar” num ou dois atletas de uma geração, um ou dois da geração seguinte, e por aí fora... Aí sim Portugal será uma seleção verdadeiramente temível.


Porque em Portugal se trabalha muitíssimo bem ao nível da formação e porque em Portugal há muito talento. Com uns jogadores deste grupo que acaba de se sagrar vice-campeão europeu e outros dos grupos que vêm a caminho, o futuro é risonho.

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